Soa o primeiro alarme.

Os olhos ainda permanecem fechados e o corpo ainda descansa. Não se pode interromper um sonho enquanto este está no seu auge. O volume aumenta gradativamente: tudo começa a mudar.

Pega o celular e aperta automaticamente o botão soneca. Tenta continuar seu sonho, mas já é tarde, já acabou. Em sua mente passam apenas as revoltas de preferir viver o sonho, algo irreal e mais agradável. Assim permanece da mesma forma e posição, olhos novamente fechados, o corpo tenta voltar a descansar. Nessas horas os minutos voam como segundos.

Soa o segundo alarme.

A dor de acordar e lembrar que mais um dia o aguarda sadicamente. Pensar que há mais um trecho a ser escrito sem querer escrever, não usar as palavras perfeitas. Assim, mais uma vez, aperta o botão soneca.

Enquanto finge não se preocupar com a hora, fingi conseguir continuar descansando, preocupa-se em tentar entender o por que de não poder fazer o melhor.

Por fim, levanta-se, agarra seu roupão e toma um banho. A água quente caindo sobre suas costas parece dizer que tudo vai ficar bem, mas a mesma água que o diz, rapidamente se vai pelo encanamento. Lembra dum trecho de música, ri e tenta fazer com que tudo fique bem, mesmo sabendo que na maioria dos dias não vai.

Veste a roupa, arruma o cabelo e tenta.

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