Venha meu amor, brindemos a utopia. De novo, de novo, de novo e mais uma vez. Brindemos… Não olhe para os lados, não se perca, não pense, não receie, não raciocine, esqueça a razão. Brinda, brinda mais uma vez toda essa fantasia. Quanta alegria… Brinda!

Sim, deite em meu colo, beijo-lhe o rosto. Um beijo em cada lado, um na testa e um na boca. Deixe-me sentir teu hálito contra o meu. Sim, mais um beijo. Outro, por favor! Ah, como é bom beijar tua boca… Mais um brinde à maldita utopia!

Meu amor é o bem e o mal, o início e o fim, o ser e o não ser. A paz e a guerra, o corajoso e o covarde, a alma e o corpo, o cheio e o vazio. Entendeu? Nem sei por que ainda pergunto essa merda. Um ou outro talvez entendam.

Quer saber, vá. Sim, vá embora. Não quero mais ver teu rosto, cansei de ser sua marionete. Você fede. Tenho nojo de seu hálito, tenho aversão ao teu beijo. Não suporto olhar para esse corpo branco. Esses cabelos negros apenas refletem tua alma. És um poço de dor. Vá. Não perca seu tempo tentando explicar qualquer coisa. Vá. Por favor, vá embora.

Minha solidão nunca foi-me tão atraente, nunca trouxera tanta paz… É meu alicerce. Sei que minha paz só é paz só. Sei que meus olhos não deveriam ver o quanto veem, e meus ouvidos jamais deveriam ouvir um som. Paz – só – paz. Meus dedos jamais deveriam ter aprendido a segurar a caneta. Deveria apenas existir a paz. Paz. Paz. Paz.

Nem um corpo. Nem um espírito. Nem alma, nem nada disso que caracteriza o homem. Nem um vestígio, por favor – nem sei o motivo de toda esta educação. Existir apenas um nada. O vazio.

Ei, espera. Volte. Eu imploro, volte! Não quis dizer aquilo, desculpe-me! Por favor, não vá! Não sei onde estava com a cabeça, não sei o que pensava! Volte logo antes que eu deixe de suportar esta humilhação a qual me submeto agora! Por favor, pra onde foste? Não mais voltará?

A Tati entende. O Afonso entende. A Fabriele entende. A Amanda entende. A Luana entende.

Mas eu não.

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