Conversávamos ao entardecer, sentados sobre as pedras da recente reforma daquela praia. Eu e ela, duma forma que por muito tempo não nos víamos. Não houveram perguntas rotineiras, nem nada tão superficial que se tem com aquele cara com quem você estudou há anos e não dá a mínima. Foi estranho sentir, pelo menos naquele momento, como se fosse no início, tudo parecia ser como foi em sua melhor fase.

Ao ser questionado a respeito dos fantasmas de meu passado, senti uma pequena fisgada de paz e calmamente respondi:

Apenas quando me dei conta de que era tão culpado quanto qualquer um pude encontrar um pouco de paz.

Lembro deste dia como se fosse ontem. Não há como esquecer. Duas pessoas que não consigo quantificar minha admiração, apesar de, às vezes, achar que este dia foi o início do fim para algo que um dia, posso dizer que com toda certeza, foi o mais marcante sentimento que tive, longe de qualquer paixão, qualquer instinto que fosse possível perceber.

Talvez não tenha sido este o dia do início do fim, pode ter sido um pouco antes. Aproximadamente um mês antes, para ser mais exato (achei legal o paradoxo entre a aproximação e a exatidão). Até hoje nunca imaginei dizer isto, mas não, não me arrependo daquele dia, por mais difícil que tenha sido.

Foi – e ainda é – duro aguentar algumas consequências, mas acabaram por ser justificá-veis. Aliás, quem não gostariam que as coisas fossem como já foram um dia?

Assistimos ao sol se pôr.

 

Aos meus inestimáveis e distantes amigos,

Afonso de Mori e Tatiana Vantílio

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