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Bom dia

Acorda! Deixe-me ver teus olhos mais uma vez. Deixe brilharem na aurora de um novo dia. Seus cabelos embaraçados pelo teu profundo sono parecem algodão em minhas mãos a acariciá-la.

Sabe, sinto falta de teu beijo. Sinto-me salvo pelo abraço que mantive enquanto você pusera-se a dormir em meu peito.

- Bom dia!

Sussurrou sua voz em nosso quarto quase vazio, preenchido apenas pelo prazer de estar ali ao seu lado. O ar tomava a forma de um círculo perfeito, um círculo.

- Bom dia!

Respondi, com a felicidade de ver teus olhos, da forma que antes eu imaginara. Não há como mensurar o prazer daquele momento.

De rosto a rosto, onde pequenos sorrisos saltavam, veio então um beijo. Sem fechar os olhos, não era possível deixar de ver o amor que exalava daquele brilho.

Assim foram aqueles dias que em breve serão eternos.

Pra você ler quando acordar!

Te amo =]

E digo mais uma vez: o ser humano é fantástico.

Às vezes no bom sentido e, normalmente, no mal. É impressionante como estes sacos de carne, em sua maioria, conseguem se diminuir perante qualquer absurdo. Mais uma vez me seguro para não falar sobre assuntos “polêmicos” (pra mim soa como “ridículos”) e, por fim, acabo por não me segurar e escrever qualquer coisa que me deixe um pouco mais leve.

Matar animaiszinhos indefesos não é legal. Matar animaiszinhos indefesos na base da porrada, violenta e covardemente, não é legal mesmo! No meu ponto de vista, a enfermeira deve responder judicialmente e sim, cumprir sua pena para quitar seus débitos para com a sociedade. É assim que (teoricamente) nosso país funciona, da forma como nossa constituição determina.

Matar criancinhas indefesas não é legal. Matar criancinhas com um tiro na cabeça, privando-a do direito à vida, violenta e covardemente, não é legal mesmo! No meu ponto de vista, o cara deve ficar de fora da mídia e sabe-se lá ser preso ou processado. É melhor se preocupar com o cachorrinho.

Roubar do povo enquanto eles se preocupam com o cachorrinho é legal. Isso sim. Eu gosto.

Resumindo: está tudo liberado, mas não machuque os cachorrinhos! Eles valem mais que a vida humana…

Ps: Pelo amor de sua entidade superior: entenda meu sarcasmo.
Ps²: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

O acordar

Soa o primeiro alarme.

Os olhos ainda permanecem fechados e o corpo ainda descansa. Não se pode interromper um sonho enquanto este está no seu auge. O volume aumenta gradativamente: tudo começa a mudar.

Pega o celular e aperta automaticamente o botão soneca. Tenta continuar seu sonho, mas já é tarde, já acabou. Em sua mente passam apenas as revoltas de preferir viver o sonho, algo irreal e mais agradável. Assim permanece da mesma forma e posição, olhos novamente fechados, o corpo tenta voltar a descansar. Nessas horas os minutos voam como segundos.

Soa o segundo alarme.

A dor de acordar e lembrar que mais um dia o aguarda sadicamente. Pensar que há mais um trecho a ser escrito sem querer escrever, não usar as palavras perfeitas. Assim, mais uma vez, aperta o botão soneca.

Enquanto finge não se preocupar com a hora, fingi conseguir continuar descansando, preocupa-se em tentar entender o por que de não poder fazer o melhor.

Por fim, levanta-se, agarra seu roupão e toma um banho. A água quente caindo sobre suas costas parece dizer que tudo vai ficar bem, mas a mesma água que o diz, rapidamente se vai pelo encanamento. Lembra dum trecho de música, ri e tenta fazer com que tudo fique bem, mesmo sabendo que na maioria dos dias não vai.

Veste a roupa, arruma o cabelo e tenta.

redundância

Venha meu amor, brindemos a utopia. De novo, de novo, de novo e mais uma vez. Brindemos… Não olhe para os lados, não se perca, não pense, não receie, não raciocine, esqueça a razão. Brinda, brinda mais uma vez toda essa fantasia. Quanta alegria… Brinda!

Sim, deite em meu colo, beijo-lhe o rosto. Um beijo em cada lado, um na testa e um na boca. Deixe-me sentir teu hálito contra o meu. Sim, mais um beijo. Outro, por favor! Ah, como é bom beijar tua boca… Mais um brinde à maldita utopia!

Meu amor é o bem e o mal, o início e o fim, o ser e o não ser. A paz e a guerra, o corajoso e o covarde, a alma e o corpo, o cheio e o vazio. Entendeu? Nem sei por que ainda pergunto essa merda. Um ou outro talvez entendam.

Quer saber, vá. Sim, vá embora. Não quero mais ver teu rosto, cansei de ser sua marionete. Você fede. Tenho nojo de seu hálito, tenho aversão ao teu beijo. Não suporto olhar para esse corpo branco. Esses cabelos negros apenas refletem tua alma. És um poço de dor. Vá. Não perca seu tempo tentando explicar qualquer coisa. Vá. Por favor, vá embora.

Minha solidão nunca foi-me tão atraente, nunca trouxera tanta paz… É meu alicerce. Sei que minha paz só é paz só. Sei que meus olhos não deveriam ver o quanto veem, e meus ouvidos jamais deveriam ouvir um som. Paz – só – paz. Meus dedos jamais deveriam ter aprendido a segurar a caneta. Deveria apenas existir a paz. Paz. Paz. Paz.

Nem um corpo. Nem um espírito. Nem alma, nem nada disso que caracteriza o homem. Nem um vestígio, por favor – nem sei o motivo de toda esta educação. Existir apenas um nada. O vazio.

Ei, espera. Volte. Eu imploro, volte! Não quis dizer aquilo, desculpe-me! Por favor, não vá! Não sei onde estava com a cabeça, não sei o que pensava! Volte logo antes que eu deixe de suportar esta humilhação a qual me submeto agora! Por favor, pra onde foste? Não mais voltará?

A Tati entende. O Afonso entende. A Fabriele entende. A Amanda entende. A Luana entende.

Mas eu não.